EDIVALDO BOAVENTURA: A MÃO BENFAZEJA DA BAHIA

Agenor Sampaio Neto.
Catedrático de Teoria do Direito e Hermenêutica da Universidade
 Estadual de Feira de Santana.
professoragenorsampaio@gmail.com
Publicado Originalmente em A TARDE, A2,  3 de setembro de 2018. 

Saudade do professor Edivaldo Boaventura que se eterniza pela sua independência de sentimento, pensamento e ação. Vozes uníssonas acerca de sua humildade e generosidade para com todos somadas à proeminência de sua intelectualidade e uma quadra de serviços prestados à Bahia e contributo de alto impacto à performance de variadas e significativas gerações de personalidades baianas  são as impressões digitais dele, mão benfazeja a contribuir com o que há de melhor e mais relevante em nossa história recente.

Edivaldo Boaventura

Para o inexcedível Edivaldo Boaventura, é o comovente e comovido depoimento do colega Jorge Aliomar Barreiros Dantas, Pleno da Universidade Estadual de Feira de Santana: “Edivaldo era formidável em todos os aspectos, escrevia com simplicidade, mas era culto e dominador da palavra escrita. Gostava de seus amigos e de seus alunos, era uma pessoa doce, delicada e cativante. Sua produção científica se destacava para todos nós, tenho quase todos os seus livros e gostava de ler seus livros de viagens. Livros que me tocavam imensamente. Sua carreira foi brilhante no exercício das altas funções exercidas, das produções e dos cursos realizados e, por isso, sentimo-nos orgulhosos por ele representar tão bem Feira de Santana, a Bahia e o Brasil”.

No meu testemunho bem próximo, Edivaldo Boaventura tanto é um dos aprovados para a cátedra de Ciência Política da UFBA em 1964. Ele contando 31 e o saudoso professor Washington Trindade, 41, quanto o fundador da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), o diretor de A TARDE ou, ainda, o metodólogo e admirador de Taurino Araújo que, ao defender a possibilidade de exclusiva pesquisa bibliográfica em todas as fases do projeto foi referência para que Taurino invocasse a presunção de similitude entre os diversos ordenamentos (Van Erp) e assim inventasse aqui, na Bahia, inédita e universal hermenêutica da desigualdade, uma introdução às Ciências Jurídicas e também Sociais, método au-delà de Sócrates, Platão e Aristóteles, postula Nelson Cerqueira, confrade de Edivaldo na UFBA e Academia de Letras da Bahia.

Taurino Araújo

Fotos: Wikimedia Commons.