COMBUSTÍVEL DE COCÔ DE FRANGO: PARCERIA BRASIL-SUÉCIA DESENVOLVE ÔNIBUS SUSTENTÁVEL


Ennio Rodrigues
Frango é mania nacional. O destaque global brasileiro na produção (3º maior do mundo), consumo (2º maior do mundo) e exportação da ave (1º do mundo) pode trazer benefícios até para o meio ambiente. E nenhum frango precisa morrer para isso.

Uma parceria entre a montadora sueca Scania, a hidrelétrica Itaipu Binacional, Centro Internacional de Energias Renováveis-Biogás (CIBiogás-ER), a Fundação Parque Tecnológico Itaipu (FPTI) e a Granja Haacke, permitiu a criação do primeiro veículo de transporte público movido a biometano do mundo.

O ônibus, que emite 70% menos gases poluentes que os similares movidos a diesel, já passou por um período bem sucedido de testes circulando pelo espaço interno de Itaipu, transportando estudantes e funcionários. São 15 metros de comprimento, capacidade para 120 pessoas, dois eixos direcionais e um motor que funciona tanto com o biometano, quanto com GNV (gás natural veicular).

O mais curioso é a matéria-prima para a fabricação do combustível: dejetos das aves poedeiras da Granja Haacke (a.k.a cocô de frango). O material orgânico é processado, o gás é filtrado e compartimentado. Segundo os pesquisadores, além da redução de emissões, o preço por quilometragem do biometano é 56% menor se comparado ao diesel comum. E, vale lembrar que, há vários métodos de obtenção do biometano, sendo que a cadeia produtiva poderia, inclusive, incluir os dejetos orgânicos urbanos, ajudando em outro problema das nossas grandes cidades: a destinação do lixo.

O período inicial de testes foi entre 31 de outubro e 26 de novembro. Agora, em dezembro, o busão verde deve fazer um tour por estados brasileiros como Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro para demonstrar a aplicabilidade do projeto em trajetos urbanos e entre cidades. O primeiro estado a receber o projeto é o Rio Grande do Sul. O veículo foi fabricado na Suécia e, antes de chegar ao Brasil, também foi testado no México e na Colômbia.


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