O PLÁGIO INCONSCIENTE DE IDEIAS É MAIS COMUM DO QUE VOCÊ PENSA

George Harrison “fez” uma imitação 
inconsciente da canção he’s so fine 
(foto: divulgação)
Um dos casos mais célebres de plágio na música é o da canção My Sweet Lord (1970), o primeiro sucesso da carreira de George Harrison depois do fim dos Beatles. Harrison foi acusado de copiar He’s So Fine (1963), do grupo vocal The Chiffons. Um juiz o considerou culpado, mas – eis o aspecto mais interessante – quis deixar claro que havia sido um plágio inconsciente. Mais tarde, em sua autobiografia, o próprio músico se perguntaria como não percebeu a semelhança entre as duas canções.

Adam Grant, professor de psicologia e gestão da escola Wharton da Universidade da Pensilvânia, lembrou o episódio num artigo no Huffington Post com a intenção de fazer uma advertência: há grandes chances de que algum dia todos nós façamos o mesmo. A tendência de roubar e não perceber (ou esquecer de onde veio a ideia) é chamada pelo psicólogo Daniel Gilbert de cleptomnésia. Diz ele que o problema se deve a um mecanismo da memória que dá mais atenção ao conteúdo do que à fonte da informação.

Segundo um estudo clássico, o roubo “espontâneo” de ideias depois de um brainstorm no trabalho chega a 75% – e quem o pratica realmente não percebe. Psicólogos detectam o fenômeno até na mais inocente conversa cotidiana, quando palavras e ideias formuladas por um interlocutor começam a aparecer na fala de outro. Para coibir o gatuno que existe em nós, os especialistas sugerem evitar a distração em reuniões e nos trabalhos em grupo e não fazer várias coisas ao mesmo tempo.

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