LAURO DE FREITAS É TERRITÓRIO DO FSM 2018


ativistas locais protagonizam debates sobre salvaguarda de pertenças hídricas



O Fórum Social Mundial, que ocorrerá em Salvador de 13 e 17 de março, traz no portfólio dessa edição uma importante discussão acerca de possíveis medidas para o enfrentamento à iminente crise mundial da água e, para isso, contará com a participação de diversas entidades atuantes na causa ambiental e de sustentabilidade.  

Sediado no Campus de Ondina da Universidade Federal da Bahia - UFBA, o FSM 2018 também contará com outros espaços dedicados a suas atividades, como o Parque do Abaeté, em Itapuã; o Parque São Bartolomeu, no subúrbio e vários outros locais que se tornarão território de diálogo e convergência do fórum.

O Fórum Social Mundial - FSM é um evento altermundialista organizado por movimentos sociais de muitos continentes, com objetivo de elaborar alternativas para uma transformação social global.

O movimento altermundialista, cuja denominação deriva do lema popular “outro mundo é possível” e que se originou do Fórum Social Mundial, é um movimento social cooperativo designado a protestar contra a direção e consequências negativas observadas da globalização neoliberal, cujos proponentes defendem interação e cooperação globais e se declaram contrários aos efeitos negativos da globalização econômica, visando a promover adequadamente valores humanos como proteção ambiental e climática, justiça econômica, proteção laboral, proteção de culturas indígenas, paz e liberdades civis.

Com o tema “RESISTIR É CRIAR, RESISTIR É TRANSFORMAR”, FSM 2018 traz eixos temáticos diversos, como Ancestralidade, Terra e Territorialidade; Culturas de Resistências; Desenvolvimento, Justiça Social e Ambiental; Direito à Cidade; Povos Indígenas; Vidas Negras Importam; Feminismos e Luta das Mulheres, dentre muitos outros.

AMOVA e iAC representam o município no FSM
Quanto à participação de Lauro de Freitas na edição 2018 do FSM, o grande destaque se deve à contribuição de duas ativistas locais que promoverão debates sobre salvaguarda de pertenças hídricas. Janaína Ribeiro, médica do SUS - Sistema Único de Saúde, atuante na área de Cirurgia Geral, além de presidente e fundadora da AMOVA - Associação de Moradores de Vilas do Atlântico - Lauro de Freitas – RMS, que é ativista social com foco na ocupação urbana sustentável. Janaína também é conselheira titular do CONCIDADES – Conselho das Cidades de Lauro de Freitas e do CMSLF - Conselho Municipal de Saúde de Lauro de Freitas, além de membro do Comitê de Bacias Hidrográficas do Atlântico Norte e Inhambupe, responsável pela atual representação municipal junto à APA Joanes-Ipitanga. Além dela, também irá proferir palestra Tina Tude, atriz e educadora de trajetória marcada pela atuação como intérprete e guardiã da obra de seu pai, o poeta Tude Celestino de Souza, que também atua como ativista pela salvaguarda de pertenças hídricas ancestrais e a memória ipitanguense no território do município de Lauro de Freitas - RMS. Pesquisadora do segmento de Educação e Desenvolvimento Sustentável, cursa pós-graduação em Educação Ambiental e Sustentabilidade pela UCAM/Pro Minas – EaD. Tina foi fundadora do CMCLF – Conselho Municipal de Cultura de Lauro de Freitas e da ALALF – Academia de Letras e Artes de Lauro de Freitas, além de ser idealizadora e presidente de honra da ONG iAC – Instituto ATiTude CelesTina.

IPITANGA, JOANES E SAPATO EM PAUTA NO FSM

Embora não venha a sediar alguma atividade oficial do evento, o território de Lauro de Freitas estará representado e com efetiva atuação no FSM 2018, destacando-se pelas oportunas participações de duas importantes ativistas da causa de sustentabilidade no município, que realizarão atividades relativas à salvaguarda de bens do patrimônio natural local, abordando, especificamente, a degradação ambiental dos nossos três principais rios - Ipitanga, Joanes e Sapato.

Com palestras e dinâmicas previstas na programação oficial do fórum, Janaína Ribeiro (AMOVA) e Tina Tude (iAC), serão as responsáveis por trazer à baila o debate sobre a importância da preservação dos rios urbanos no território municipal e, com tais intervenções, apresentarão ao público do FSM suas respectivas trajetórias como ativistas da causa de defesa de pertenças hídricas ancestrais.

Sob a égide do tema “Água é Vida” o eixo de discussão sobre Desenvolvimento, Justiça Social e Ambiental terá um espaço especialmente dedicado a reflexões a respeito da preservação da água em um amplo debate entre eco ativistas de todo o país que virão relatar suas experiências acerca das mais diversas estratégias de luta implantadas por organizações da sociedade civil para lidar com a crescente situação de destruição dos recursos hídricos. Estarão representados neste debate, além de Lauro de Freitas, comunidades como Mariana-MG, Correntina- BA, São Bartolomeu - BA, Paraguaçu – BA e Salvador, dentre outros. 

Integradas ao eixo de Desenvolvimento, Justiça Social e Ambiental, ao tratar do tema “Água é Vida”, Janaína Ribeiro irá apresentar duas palestras distintas. A primeira, com título “RIOS EM ESPAÇOS URBANOS: ESTRATÉGIAS DE LUTA E ENFRENTAMENTO”, apresentará aspectos de sua atuação na proteção do Rio Sapato, trazendo Lauro de Freitas para o centro das discussões sobre a imposição de um modelo de progresso e desenvolvimento pautado na poluição e tamponamento dos recursos hídricos, seu sucateamento e posterior conversão em recurso comercializável. Na segunda intervenção, “PARADIGMAS ALTERNATIVOS DE MUNUSEIO AUTO SUSTENTÁVEL DE RECURSOS HÍDRICOS”, haverá uma abordagem referente ao sub eixo de judicialização, em que se prevê alterar a legislação vigente de forma a tornar os rios sujeitos de direito com capacidade de processar estruturas de poder público quanto a seu uso e manuseio indiscriminado que impliquem prejuízo à comunidade.

Em outra atividade, Tina Tude apresentará palestra referente ao conceito “TERRA DAS ÁGUAS VERMELHAS – IPITANGA E JOANES, PERTENÇAS HÍDRICAS DE LAURO DE FREITAS”, em que se demonstram aspectos históricos e antropológicos que qualificam tais rios como elementos legítimos do patrimônio material e imaterial da identidade local, além de promover uma reflexão sobre a importância da salvaguarda de pertenças hídricas ancestrais em sua interface com as políticas de Promoção da Igualdade Racial (PIR).
  



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