CIENTISTAS ENCONTRAM SEMELHANÇAS NO CÉREBRO DE CRIANÇAS AUTISTAS


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Análises realizadas no córtex cerebral de crianças com e sem autismo revelou um padrão que pode estar entre as causas da doença

Embora a ciência esteja em constante avanço, existem muitas coisas que ainda não se sabe sobre os seres humanos. Um delas é a causa do autismo – uma condição extremamente variável que conta com pessoas que conseguem conviver normalmente com a doença e outras que precisam de acompanhamento constante devido às dificuldades com a comunicação, a cognição e o comportamento.

Isso também não significa que os especialistas não sabem nada sobre a doença. Muitas descobertas já foram feitas sobre o autismo e talvez a mais recente delas nos permita avançar um passo na busca por respostas acerca dessa condição.

Faixas coloridas indicam as camadas do córtex e a ruptura anormal em uma pessoa com autismo.
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O que o novo estudo realizado pelos cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, sugere é que o cérebro das crianças que apresentam autismo contêm pequenas porções em que a ordem normal dos neurônios no córtex cerebral foi interrompida.

“Encontramos lugares em que parece ter havido uma falha no desenvolvimento normal”, comenta Eric Courchesne, neurocientista e autor do estudo que foi divulgado nesta semana no periódico New England Journal of Medicine.

A origem do autismo
Além de trazer uma nova luz para o assunto, o estudo merece destaque por trabalhar com métodos sofisticados de identificação molecular de tecidos que foram coletados em autopsias.

“Tem sido realmente difícil identificar uma lesão ou outra coisa no cérebro que seja específica e aponte um diagnóstico de autismo. Se isso for verdade, se pudermos replicar e essa for uma descoberta consistente, é mais uma evidência de que o autismo começa antes do nascimento e se manifesta apenas quando a criança começa a ter dificuldades com a linguagem e o comportamento social por volta dos dois ou três anos”, explica Thomas Insel, diretor do National Institute of Mental Health.
O especialista ainda comenta que esse tipo de mudança na estrutura celular pode ocorrer durante o desenvolvimento do cérebro, etapa que acontece no começo do segundo trimestre da gestação.

Novas descobertas
O córtex é a fina camada que recobre nosso cérebro e está relacionada tanto a funções básicas quanto complexas, como a linguagem e o pensamento abstrato. Os pesquisadores analisaram partes desse tecido que pertenciam a 22 crianças de 2 a 15 anos, sendo que metade delas apresentava diferentes graus de autismo.

Em 10 dos 11 tecidos dos pacientes autistas, os pesquisadores encontraram essas pequenas porções que não tinham um aspecto normal. Em alguns casos, foi possível notar a falta de uma camada de células, enquanto outros pacientes não apresentavam células específicas.

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Essas porções foram encontradas no córtex temporal e pré-frontal – que são as regiões associadas à linguagem e à cognição. Entre os pacientes que não apresentavam autismo, não foi possível localizar essas falhas nas estruturas cerebrais em 10 das 11 crianças. O único paciente não autista que apresentava alterações cerebrais tinha um histórico de convulsões severas.

Courchesne revela que este é apenas o começo. Como as amostras recolhidas eram pequenas, os pesquisadores não conseguem saber ao certo a quantidade de falhas presentes no cérebro de qualquer um dos indivíduos analisados. Ainda, é preciso descobrir se a severidade do autismo pode estar relacionada ao número e à localização dessas porções no córtex.

FonteWired The New England Journal of Medicine


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